5. Maturidade biológica x psicológica

Lendo os comentários da Mar…, Guta e Solange, veio-me à mente uma questão conceitual: O que significa ser adulto? O que é maturidade? O que é ser experiente?

Após algumas consultas, em diversas fontes, sobre a definição da palavra adulto, resumo que uma pessoa se torna adulta quando atinge o máximo do seu crescimento e a plenitude de suas funções biológicas. Quando isso ocorre, ela atinge a maioridade, quando passa a ser responsável pelos seus atos, diante da sociedade. Biologicamente falando, com 21 anos, por exemplo, podemos afirmar que atingimos o ápice do nosso amadurecimento físico.

Ao observarmos dois animais selvagens adultos, um com 4 e outro com 10 anos de idade, se não formos “experts” da área, não saberemos distinguir quem é o mais velho, pois seus comportamentos são bastante similares. Suas adequações ao habitat já foram concluídas e vivem apenas para comer, beber, caçar, descansar e procriar. Não existem fatores e variáveis psicossociais influenciando seus comportamentos e suas sexualidades não são questionadas ou tolidas.

No nosso caso, humanos, é muito diferente: pensamos, temos emoções, somos influenciados pela cultura, fazemos juízo dos comportamentos, preocupamo-nos com ética e moral, etc. Diante dessa realidade, penso que existem equívocos nas cobranças externas e autoavaliações do ser humano adulto que nos impedem de buscar um outro tipo de maturidade: a de vida, com todas as possibilidades que ela tem a nos oferecer.

O fato de, com 21 anos, possuirmos corpos adultos, não implica, absolutamente, a maturidade psicossocial, como exemplo. Acredito que, somente então, quando acabamos de sair – ou estamos em processo de nos descolar – da tutela familiar e passamos a ser responsáveis pelos nossos atos, é que começamos, realmente, a ter condições de construir nossas personalidades e tecer nossas filosofias de vida, através de nossas escolhas. Quando bem jovens, todos os partícipes de nossas formações – pais, parentes, meio social, etc – abastecem-nos com informações que, devido à imaturidade inerente à infância e adolescência e à dependência legal dos pais, não puderam ser plenamente processadas, compreendidas e postas em prática.

Onde estão os equívocos aos quais me referi? Nas cobranças por posturas adultas, feitas aos jovens, na ainda incipiente fase do amadurecimento da liberdade de sua sexualidade e da forma com que se relacionará com o mundo. O problema que enxergo é a transmissão a eles da necessidade de, por serem “adultos”, assumirem posturas seguras e terem certeza de tudo, baseados, exatamente, naquilo – e somente naquilo – que lhes foi ensinado até então. “Você é homem ou não é??!! Você já é uma adulta, não pode ser inconsequente! O que foi que EU lhe ensinei??”

Com vinte e poucos anos, biologicamente, somos realmente maduros. A mulher, principalmente, é considerada uma reprodutora, com aquelas constantes e incômodas cobranças pelo casamento, por netos e bisnetos, durante os encontros familiares; afinal, ela está na melhor fase para parir. No entanto, nessa fase, em termos de sexualidade e maturidade para fazermos escolhas conscientes, a grande maioria de nós é uma criança imatura. Muito pouca coisa sabemos da vida. Porém, não nos é permitido ousar trilhar caminhos desconhecidos e diferentes dos que nos foram ensinados, para depois decidirmos por nós mesmos, sem interferências. Caso isso seja feito, os rótulos vêm a galope: somos inconsequentes, rebeldes e imaturos. Obrigam-nos a ter certezas de tudo que queremos – contanto que estejam de acordo com o por eles esperado, quando na verdade elas inexistem em nosso ser. Ou seja, herdamos as “convicções” dos nossos educadores, que também foram herdadas geração após geração. Dessa forma, dela fazemos parte e damos continuidade a uma sociedade que vive debaixo da filosofia do “tenho certeza” escorada no “achismo”.

Quando penso na dinâmica do constante e necessário amadurecimento, não tenho como não concluir que a família (pais e avôs) possuem papéis relevantes e fundamentais durante bem curta fase de nossas vidas. Passou desse limite, a convivência com eles apenas atrapalha as nossas escolhas, nosso livre-arbítrio, a formação do SUJEITO com indentidade. Como todos nós temos conhecimento, muitos filhos tornam-se emocionalmente dependentes da família e têm medo de “viver”. Essa superproteção que, na verdade, considero uma egoísta e inconsequente covardia – tendo como fator atenuante muitas das vezes ser inconsciente – para com a formação do adulto realmente maduro. Ela induz ao coma profundo algo de que o ser humano não poderia nunca abrir mão: a INTUIÇÃO. Quem já leu o maravilhoso livro “Mulheres que correm com lobos”, de Clarissa Pinkola Estés, sabe bem do que estou falando.

Uma criança biológica precisa levar um choque na tomada para saber que aquilo é perigoso e não voltar a fazê-lo. Por que não permitir que o mesmo ocorra com o imaturo e jovem adulto – que, de adulto, só tem mesmo a capacidade de procriar – para que sua sexualidade e identidade psicossocial sejam realmente sólidas, baseadas em suas escolhas? Mais uma vez, o confronto entre o “ser” e “dever ser”.

Em nossa realidade cultural, a maturidade biológica, de forma alguma coincide com a maturidade psicológica, social e da sexualidade. Existe um grande “gap” separando as duas. Em muitos, um abismo no qual nem conseguimos enxergar onde termina. Certamente, nesses casos, tratam-se daqueles que mais certezas carregaram, durante todas as suas vidas.

Desde minha adolescência ouço a célebre frase socrática “Só sei que nada sei”. Apenas recentemente ela começou a fazer algum sentido para mim, depois de três casamentos e centenas de certezas que vinha bradando, até os dias de hoje. Claro que estou feliz por essa ficha ter caído – “antes tarde do que nunca”, mas… por que os encarregados pela minha educação não se empenharam em me ensinar isso quando ainda adolescente e logo no início dos meus vinte e poucos anos? Por que eles também não sabiam… e provavelmente não sabem até hoje.

No meu caso, por ser homem, os impactos negativos do tardio início dessa conscientização são bem menores do que no caso das mulheres. Muitas deixaram de trabalhar, tiveram filhos com o que consideram, hoje, o homem errado, etc, e, bem tarde, perceberam a arapulca em que caíram. Mesmo dentre as que nunca casaram, muitas abriram mão de suas sexualidades durante muitos anos e outras o fazem, ainda hoje, com seus quarenta e poucos anos.

Lamento que cresçamos ouvindo que ser adulto é ter certezas, posicionamentos e idéias sólidas sobre tudo, sendo exatamente isso que atrasa o nosso crescimento. Falta-nos consciência para compreender que, quanto mais verdades possuímos, menos ousamos e acabamos nos tornando seres estáticos e nada atrativos, pois todos aqueles que nos rodeiam se cansam de nossas arrogâncias absolutas, principalmente o parceiro.
Hoje, concluo que ser adulto e maduro é ter, diante da vida, a menor quantidade possível de certezas. Não tenho dúvida de que, quanto menos elas existirem, menos tristes seremos e, somente assim, as portas que podem nos levar a outras verdades escondidas, evitadas e proibidas começarão a se abrir.
Compreendam que não precisar ter certeza é distinto de ser inseguro. O primeiro caso saboreia o caminho e o aprendizado… o segundo gostaria da premonição de resultados concordantes com o desejado.
Finalizando e partindo para a prática, vou deixar breves “verdades e certezas” entranhadas há séculos nos dois gêneros:

No HOMEM: “Sou bom de cama. Sei muito bem o que dá prazer a uma mulher… e como fazê-lo”. “Toda mulher adora ser penetrada e, quanto mais tempo isso durar, mais prazer ela terá”. “As preliminares começam na cama”.
Na MULHER: A maior delas: A espera do príncipe. Quando o encontra: “Vou me doar e fazer de tudo para agradá-lo. Assim, ele vai me amar como nunca amou outra mulher e será para sempre”.
Em AMBOS: “Preciso vigiá-lo(la) bem para não perdê-lo(la)”.

Como podemos perceber, os equívocos masculinos são pontuais e práticos… os das mulheres holísticos, imaginados e sonhados. Por que será?

Minha visão é que a mulher se equivoca na consciência do todo – o casamento – mas, desde cedo, aprende a perceber os detalhes, tornando-se atenta… afinal, milenarmente, vem sendo preparada para servir; e sem sensibilidade aos detalhes não há servidão. Além disso, os desenganos das relações fizeram com que ela se tornasse ainda mais observadora e astuta, para melhor “sobreviver” às mesmas. O homem é preparado para o todo e muito bem orientado a como driblar as privações da relação. Mas não é preparado para dar real atenção e verdadeiramente conhecer a mulher… isso é pormenor. Sua visão é macro. A dela, micro. Ele vem sendo preparado para casar e constituir herdeiro, sem a necessidade de abrir mão dos seus instintos básicos… Ela, para deles abdicar. No entanto, o que para a mulher antes eram detalhes, agora estão deixando de os ser.

Bookmark the permalink.

Comente, se desejar.

Deixando seu email e clicando abaixo para ser notificado, poderei lhe deixar informado sobre novas respostas.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>