Este foi um comentário que fiz no artigo anterior. Por considerá-lo um assunto importante, com uma nova abordagem, resolvi, com ele, criar um novo post. Trouxe junto os comentários já feitos por vocês, sobre o mesmo.
Há muito tempo venho pensando nesses conflitos por vocês relatados, já velhos conhecidos em meus escritos. Creio ser o conflituoso binômio “atitude e aceitação” o grande X da questão. Acredito que o cerne do problema das angústias sobre as quais vocês têm comentado não esteja exatamente na dor de vocês criarem a coragem de se assumir, como tanto temos falado. O grande problema, que é anterior e este, influenciando diretamente na possibilidade ou não da iniciativa de se expor, é a não aceitação, por parte daqueles que rodeiam vocês e de quem vocês se aproximam. E como resolvemos isso? Esperando, de repente, cair(em) o(s) esperado(s) homem(ns) em seus colos? Estive pensando sobre essa angustiante espera. O que cada uma pode fazer para que tenham suas reais sexualidades aceitas, pelo menos, por um número de homens e mulheres suficiente para que não se sintam sozinhas com suas idéias e modo de vida? Será que aguardar passivamente serem premiadas com o grande encontro é a única solução?
Já conversamos bastante e estamos mais do que cientes das dificuldades que a mulher tem para assumir sua sexualidade, em função do machismo reinante. Eu disse que, para a mulher minimizar a ansiedade de não encontrar o parceiro que queira compreendê-la e a angústia de não conseguir se livrar, facilmente, de sentimentos possessivos, ela deveria ser paciente, não buscando e sim aguardando conhecer o homem que a veja como um ser livre, assim como tendo consciência de que o processo de libertação dos ranços românticos é realmente lento.
A reflexão que irei aqui levantar não tem embasamento prático, quando da ótica feminina. Eu apenas farei uma transposição, para a mulher, de MINHAS experiências práticas que me levaram a determinadas convicções e que continuam sendo reforçadas pelo que tenho vivido e observado. Porém, acredito que poderiam funcionar muito bem se a protagonista fosse a mulher. Logo, o que vou comentar é empírico, apesar de eu, se tivesse que apostar, optaria pela sua total viabilidade.
Vamos falar do Administrador, do que ele vive, no que ele acredita, como ele chegou até “aqui” – entre aspas devido à dinamicidade, pois logo esse “aqui” passa a estar “acolá”. Desejo passar como me vejo e porque consigo viver as relações que vivo. Não se trata de autoajuda. É reflexão.
Quando decidi me separar, a única certeza de que tinha era a do desejo da busca da minha liberdade irrestrita e a de acabar, aos poucos, com todas as mentiras, em minha vida. Porém, não mentir é algo muito mais difícil do que possamos pensar. Somos hipócritas demais. Gritamos e repetimos, várias vezes ao dia, que odiamos mentiras, mas mentimos, com a cara mais cínica, 15 minutos depois. Ela é uma prática institucionalizada em nossa sociedade, cuja base é a família, como minha geração aprendeu na matéria Educação Moral e Cívica. Logo, essa família também é a base da mentira. Na sociedade, o emprego da verdade segue, totalmente, conveniências. Se for bom para mim, falo a verdade; se não, minto para me “proteger”. Simples assim. Então, só nos interessa ser verdadeiros se as nossas verdades forem aceitas, não nos expondo. A mentira está tão fincada em nossas entranhas que, a despeito de toda a minha determinação e consciente luta para extirpá-la, de vez em quando me pego em mentiras ridículas, sem necessidade, por ainda estar preocupado com alguns julgamentos. Estou conseguindo me livrar de muitas grandes mentiras, mas ainda me traio com algumas idiotas. Engraçado, não é? Mas conseguirei exorcizar essa FDP.
Este assunto, por si só, pode ter conteúdo para virar um livro. Mas tentarei me conter. No decorrer dos comentários, esclarecerei maiores detalhes.
De algum tempo para cá, após a minha separação, devido a algumas convicções já estruturadas em meus pensamentos, quando eu conheço uma mulher e por ela me interesso, “vendo-lhe” a minha filosofia de vida, abaixo resumida. Tenham em mente essa palavra: VENDER.
“Não sou dono de ninguém e não possuo dono. O que me rege é a liberdade e, inserida nela, está a minha vontade de estar com você apenas quando ambos desejarmos… pode ser por um dia, semana, meses ou para sempre. O imprescindível é o respeito pelas escolhas de cada um, sejam coincidentes ou não. Possivelmente – não considere uma promessa, quanto mais você me respeitar e livre me deixar, mais vou te querer… e vice-versa.”
Observem que essa informação é passada no PRIMEIRO ENCONTRO. Certamente, essa proposta libertária choca a grande maioria – praticamente todas – das mulheres por mim desejadas, sendo que, durante algum tempo – que pode variar de horas a semanas, algumas insistem em sustentar algumas certezas românticas. Porém, interessantemente, mesmo debaixo de conflitos em forma de argumentos e réplicas, quase sempre, depois de algum tempo, consigo vender a ideia da importância da liberdade e a ela – a mulher – passa a admiti-la como uma desejável possibilidade, quando começa a se contradizer com relação ao seu ilibado comportamento inicialmente defendido. Resumindo, em pouco tempo assume seus conflitos e algumas omissões e mentiras.
Quando ela pergunta se eu tenho namorada, digo que sim. “Tenho uma em Ipanema, outra em Copacabana, Flamengo, Caxias, São Paulo, em Minas Gerais, etc.” E sempre ressalto que todas sabem sobre todas. As minhas respostas e o meu discurso não são pautados em uma pós-análise do perfil da mulher. Sou o mesmo sempre, nada me preocupando com os seus julgamentos, se ela vai se levantar da mesa e ir embora ou se nunca mais desejará me ver. Durante as conversas, descrevo, explico e embaso a filosofia e a necessidade de sermos livres. Chego a ser didático. Em momento algum eu lhe passo qualquer sentimento de dúvida sobre o que penso. Há uma verdadeira transferência de energia, sendo impossível – posso lhes garantir – ela não ser contagiada com a alegria de eu não ter medo de ser realmente o que sou e de estar me libertando das mentiras. Mesmo não concordando com alguns pontos, devido às suas certezas românticas, sem dúvida, causo-lhe uma bagunça em suas convicções. No entanto, mesmo desnorteada, em pouco tempo e aos poucos, ela começa a se assumir e, invariavelmente, ouço: “Como é bom falar a verdade.”
Entendam que, em momento algum, eu lhe deixo à vontade para me considerar um puto, galinha, etc. Isso não acontece, simplesmente, porque, do fundo de minha alma, tenho plena consciência de que não sou um. Sou um ser livre, apenas isso. O homem galinha é aquele que banaliza as mulheres e o sexo com suas mentiras, pensando apenas em trepar. Seu objetivo é gozar e se firmar como o garanhão. Nada tenho contra, isso é instintivo. O problema é a mentira, que de natural nada tem. O meu objetivo é alimentar a minha alma para que ela permaneça saudável. E a única coisa, em minha opinião, de que ela -a alma – precisa, para tal, é que respiremos liberdade. O sexo livre é consequência da liberdade; não um objetivo.
Todo dia eu saio do meu apartamento com um copo de café na mão, entro no elevador, passo pelas recepção e saguão de entrada do prédio e as pessoas ficam observando. Não me importo nem um pouco. Já ofereci o café várias vezes, no elevador. Isso é liberdade. Gosto de dirigir o meu carro, a caminho do trabalho, tomando esse café quente e fumando um cigarro.
Quando eu consigo convencer a mulher de minhas convicções, quando ela percebe que eu, do fundo do meu coração, também respeito a sua liberdade; quando lhe provo que palavras como puta, safada e galinha foram retiradas do meu vocabulário; depois que eu a convenço de que pode existir, nesse modo de vida, amizade, carinho, amor, etc, muito diferentes e maiores, em qualidade e intensidade, do que na relação romântica, aquele que, no início, estava sendo considerado mais um homem galinha, gradualmente, passa a ser, curiosamente, enxergado como um ser nobre, de quem vale a pena estar por perto.
Isso ocorre porque as pessoas se identificam facilmente com a liberdade, mesmo não assumindo, mesmo morrendo de medo de ser livres. Por isso o ser realmente autêntico e sedutor, de quem bastante falamos, magnetiza tanto as pessoas.
O que eu fiz, durante esse processo, durante essas conversas com essa mulher? Eu lhe VENDI a minha filosofia, convencendo-a de que vale a pena levar o meu “produto” para casa: seus pensamentos. Mas, para que eu pudesse ser bem sucedido, um fator foi determinante, imprescindível. Sem ele, eu não teria passado de mais um galinha: eu ACREDITEI no que estava vendendo. Eu não tenho dúvida alguma, nem remota, nem em sonho, nem por um segundo, de que sou mais feliz assim. Dessa forma, torna-se muito mais fácil a transmissão das vantagens de ser livre.
Mais uma consideração. O bom vendedor precisa ter uma boa retórica, argumentos. Precisa convencer. Olho no olho, sem titubear. Para isso, precisa ter intimidade com o que está vendendo, conhecer o produto, ler o manual, ligá-lo, usá-lo. No nosso caso, precisamos ter intimidade com a liberdade. Para isso, devemos experimentá-la de todas as formas éticas possíveis. Não confundam moral com ética.
E onde vocês entram nessa? Eu acredito que vocês têm total condição de fazer o mesmo. Vocês podem convencer. Podem sair da condição de passivas, esperando, para ativas, provocando e sendo convincentes. Perderão algumas conquistas, ganharão outras. Mas, dificilmente – apesar de não ser impossível – conseguirão em uma situação parecida com a que a Thaís relatou, quando decidiu se abrir com o seu “ficante” depois de um ano de relação. Isso precisa ser feito com os homens que ainda vão conhecer, desde a primeira conversa. Inicialmente, parece tratar-se de uma atitude kamikase mesmo, pois, se você tem pouca intimidade prática com a liberdade, logo no início será uma teórica fazendo experiências no laboratório dos relacionamentos.
A título de exemplo, eu rompi a minha relação de oito anos porque, por mais que eu tentasse, percebi ser impossível migrar para uma relação com total respeito à liberdade, da parte dela, pois começamos dentro do tradicional namoro romântico. Mesmo assim, em nossa relação tínhamos liberdades, sem dúvida alguma, muito acima da média.
E quanto aos ciúmes, da parte de vocês? E o medo da divisão e do surgimento, como consequência, de uma possível perda? Isso é pura insegurança misturada com egoísmo, pois percebi em várias mulheres que elas são exatamente iguais aos homens machistas: “Eu posso e quero; ele(a) não.” Aprendam a conviver com a sensação de ameaça e a sentir o tesão natural que dela advém. E isso só se aprende com a prática. Sejam suas próprias cobaias, assim como fui e continuo sendo. Sou bastante consciente de que, de repente, posso me ver sozinho por um mês, por exemplo, porque todas viajaram ou se ocuparam, durante esse período. Isso me excita. Mas posso ter a sensação de perda ou medo dela? Claro que sim.
Assim que assumi que queria e decidi ser livre e, à medida que fui experimentando, ousando e observando as reações das mulheres, vi-me capaz de receber carinho, atenção e de amá-las, e vive-versa, mesmo dentro da filosofia da liberdade e, para surpresa minha, com qualidade e intensidade infinitamente maiores do que nos relacionamentos românticos que tive. Então, fui me tornando mais seguro, pois os resultados, as sensações nunca antes vividas, estimulavam-me a isso… e assim continuam.
Fechando este comentário, a sequência e etapas indispensáveis seriam: acreditar, ter atitude, ser aceita e se permitir. Em algumas situações, talvez seja necessário a permissão vir antes da aceitação… ou as duas atuarem ao mesmo tempo. São situações que exigirão de vocês o espírito kamikase. Livrem-se, aos poucos e pacientemente, dessas inseguranças e conflitos, para que se sintam prontas para “colocar as mãos na massa”. Assim, tirarão suas próprias conclusões e criarão suas próprias identidades.
O que seria exatamente essa permissão? Imagine uma mulher que sempre teve certa dificuldade para atingir o orgasmo, demorando bem mais do que o “normal” e só o alcançando com ela mesma se masturbando, enquanto é penetrada. Invariavelmente, quando o atinge, é apenas uma única vez. Essa mesma mulher também não consegue gozar com o sexo oral. Resumindo: só goza se tocando. Então, conhece um homem especial que estimula e provoca a assunção plena de sua sexualidade. Depois de um tempo juntos, ela, em uma relação, goza sem se tocar; evoluindo, chega a gozar três vezes sem se masturbar. Isso é permissão. Ela percebeu a Mulher Selvagem sendo aceita e bem recebida pelo macho. Consequentemente, permitiu-se ser MULHER. Conseguiu transpor os tabus, medos e preconceitos e se aproximar de suas vísceras. Resultado: sensações nunca antes vividas. Para tal, bastou ter a certeza de que seria aceita. Outro exemplo: sexo anal. Todas as poucas tentativas frustradas anteriores de uma outra mulher foram dolorosas, causando a sua desistência de novas. De repente, conhece um homem com o mesmo perfil do anterior. Tenta o sexo anal e, para sua surpresa, não só não sente dor, como goza durante o ato. Mais uma aceitação com decorrente permissão. Por isso, afirmo que “fulano é bom de cama” é mito. Você se permitir sentir é que é real. Ninguém dá prazer a ninguém, assim como ninguém faz alguém feliz. Prazer e felicidade são permissões. Só dependem de nós; os outros são coadjuvantes. O romantismo vive tentando nos convencer – e consegue – de que alguém tem que assumir o nosso lugar de protagonista de nossa história, quando ele é papel exclusivamente nosso.
Beijos. Vou parar por aqui, para continuar, depois, com mais comentários.


Li alguns de seus escritos, uns achei pertinentes, outros senti uma certa contradição.
Você tem uma forma singular de expor o que pensa, como vive e o que espera, mas deve admitir q enquanto seres humanos, somos passíveis de erros e é assim que evoluímos. Estamos em constantes estados de mutação, hora temos plena convicção de algo e no minuto seguinte, algo acontece alheio a nossa vontade e a certeza não mais existe.
Não te vejo como um simples escritor, te vejo como um formador de opinião, mas devo adverti-lo de que essa condição é uma via de mão dupla, vc pode alcançar seu objetivo, suponho q seja de levar suas idéias as pessoas fazendo-as refletirem sobre determinado assunto ou tema, como queira. Mas vc não está somente expondo suas idéias, vc está impondo, o q é completamente diferente, pois à partir do momento q diz às mulheres o q devem fazer e como devem fazer, vc está interferindo na liberdade delas, infelizmente a maioria das pessoas não têm condição intelectual, psicológica e autosuficientes de chegarem às suas próprias conclusões, assim como vc ou como eu, q sabemos o q pensamos, como pensamos, o q queremos e etc.
E ao meu, ver a nossa liberdade vai, até o ponto de não interfirirmos na liberdade alheia. E quando diz a alguém o q fazer e como fazer, não está respeitando o fato dela decidir, não está sugerindo q ela reflita em como arranjar a melhor forma de fazer, isso ou aquilo… entende?
Bom, vou parar por aqui, pois talvez eu esteja interferindo na sua liberdade de expor suas idéias…rsrsrsrsrs
Peço q se de alguma forma fui ofensiva, q me perdoe, não foi isso q quis passar!
Embora, não concorde com algumas de suas colocações, me tornei sua fã.rs
P.S: Idéias não são vendidas, são compartilhadas…e uma das mais prazerosas sensações q se pode ter é encontrar alguém q simplismente as compartilhe com vc, sem q vc precise infleunciá-la! Pense nisso!
Adriana, considero totalmente pertinente as suas colocações.
Quando eu fiz a mudança de hospedagem do antigo blog para o servidor atual, perdi todos os comentários que aqui estavam. Estes antigos artigos estavam mais ricos em função dos comentários. Mas isso é outra história e nada tem a ver com o seu ponto de vista.
Se você reparar, no cabeçalho do blog eu afirmo que, atualmente, eu não concordo com lógicas que usei em antigos artigos, pois muitas formas de pensar e avaliar foram mudadas. Por acaso, você leu e fez um comentário no artigo que melhor ilustra isso. Para falar a verdade, eu quase deletei este artigo, mas desisti, pois ele faz parte da evolução do meu pensamento. Precisei passar por uma sensação de liberdade bastante ansiosa e, até mesmo, vaidosa, para encontrar a que me encontro hoje: mais amena e humilde.
Antigos leitores têm me enviado e-mails falando sobre a nítida mudança nas minhas abordagens, a partir dos artigos que comecei a escrever este ano. Elas mudaram porque eu mudei, estou mudando.
Repetindo, concordo com tudo que escreveu e obrigado pela ótima observação. Eu não devo e não posso impelir comportamentos.
Um excelente domingo para você.