32. Relação aberta

Após considerações sobre o ciúme e a traição, achei pertinente conversarmos sobre a polêmica relação aberta. Ao se digitar esta expressão nos mecanismos de busca da Internet, aparecem inúmeras matérias sobre o assunto, desde artigos avaliativos a relatos pessoais. Não posso afirmar que não concordo com nenhuma das avaliações porque, logicamente, não li todas. No entanto, discordo de todos os tipos de abordagens aos quais tive acesso, por uma simples razão: todas colocam a liberdade sexual como a questão central desse tipo de relacionamento, como se fosse a natureza humana promíscua e o sexo uma necessidade tão instintiva quanto comer, beber e dormir. Venho defendendo que não o são. Exatamente por darmos ao ato sexual isolado uma ignorante e exagerada importância, quando se pensa ou conversa sobre relacionamento aberto, os respectivos parceiros fazendo sexo com outras pessoas, rotineira e indiscriminadamente, é a única interpretação e imagem que surge no imaginário coletivo.

Normalmente, quando tal tipo de relacionamento é abordado, pensa-se logo em swing, ménage, sexo grupal, etc, e, equivocadamente, os casais que os praticam afirmam, realmente, viver relações abertas. Afirmo que a grande maioria não as vive. A análise dessas práticas não é o foco desse artigo, mas farei algumas considerações sobre elas. Começo fazendo a seguinte afirmação: todos os relacionamentos e casamentos deveriam ser abertos. Tentarei explicar, na minha visão, o que seria uma relação desse tipo.

A psicanalista e escritora Regina Navarro Lins possui várias publicações sobre a liberdade nos relacionamentos; porém, após ler algumas delas e ao assistir a várias de suas entrevistas, percebi, da mesma forma que no senso comum, foco exagerado no tema sexo. Por isso, em suas entrevistas, não consegui observar nenhuma com um desfecho silenciosamente reflexivo, entre os participantes; faltaram argumentos plausíveis. Todas foram tensas, do início ao fim, pouco convincentes e ela foi bem criticada. A palavra amor poucas vezes foi mencionada. Enviei-lhe um e-mail fazendo esse comentário crítico. Ela, gentilmente, respondeu-me. Porém, não explicou o porquê de não usar o amor como argumento e alicerce para justificar a necessidade da liberdade que defende. De forma alguma tiro o mérito do seu trabalho e a acho, de fato, corajosa. Suas leituras me foram úteis e acredito que sirvam bem para iniciar quem queira analisar os pilares hipócritas que sustentam as relações. Mas, a transformação necessária e desejada por mim, por exemplo, transcende e muito o que a autora defende.

O mestre DeRose escreveu um pequeno livro intitulado Alternativas de Relacionamento Afetivo, que pode ser lido on line clicando no link. Achei-o bastante coerente e alinhado com a minha visão do assunto.

Sustento que são raros os casais que possuem maturidades psicológicas para se relacionar de forma sadia e muito menos para casar. O Greenpeace deveria fazer um movimento para impedir novos casamentos, se os objetivos forem vivê-los da tradicional forma que conhecemos. Eles são um verdadeiro desastre ambiental, pois é o melhor caminho para a extinção de cada indivíduo. A grande maioria das vidas a dois é uma verdadeira calamidade natural para cada par, sob a ótica do impacto na vida de cada ser envolvido. Como já afirmei em artigos anteriores, encontrar um verdadeiro amor nos relacionamentos é algo muito difícil. Pode parecer um absurdo o que vou dizer, mas eu ainda não tive a oportunidade de conhecer um casal que se ame, dentro do conceito pleno de amor defendido por mim, outros pensadores, filósofos e estudiosos do tema. Muitos sentimentos e interesses próprios coexistem na maioria dos relacionamentos, menos o amor.

Abro um parêntese para dizer que o entendimento do raciocínio a ser conduzido será facilitado pela leitura dos três artigos anteriores chamados Sexo e vaidade, Ciúme e Traição.

Quando a façanha da construção de um relacionamento que gire em torno do legítimo amor – até onde se consegue entendê-lo – é conseguida, a relação já é, natural e inevitavelmente, aberta. Essa abertura nada mais é do que o respeito pelas liberdades de pensamento, expressão e ação de cada um, as quais transcendem as preocupações com o e o foco no sexo, como todos imaginam. Isso ocorre porque a vivência do amor altera totalmente a conotação sexual consumista e vaidosa que nos é ensinada. Esse estado consciente e espiritual em que a necessidade da constante e variada prática sexual sai de cena – espontaneamente e sem qualquer tipo de exigência moral – pode ser alcançado sozinho ou a dois, pois nada tem a ver com paixão ou com o amor romântico; trata-se, simplesmente, de evolução individual. Uma relação aberta só pode ser vivida por duas pessoas que estão buscando a fuga da prisão desse mundo egótico em que tudo é consumido e que, quando algo é oferecido, retornos caros são esperados. Gradualmente, passa a haver mais respeito pelo parceiro e a percepção da doença coletiva de se imaginar, desejar e insistir em termos o controle sobre as pessoas e situações por elas vividas. Costumo dizer que a relação a dois é a melhor forma e o melhor atalho para se entender o amor cósmico, o amor natureza e sua inexplicável energia apenas sentida – como ele o é, pois é na convivência entre um casal que nos deparamos com os maiores desafios contracultura sobre a enganosa necessidade de posse que foi artificialmente construída em nós. É impossível uma pessoa amar de verdade o seu parceiro e ser um mal e antiético ser humano com os demais – e vice-versa, pois quando uma relação está, de fato, sendo envolvida pela energia do amor, as visões dos parceiros sobre o ser humano, a natureza, como lidar com dinheiro, poder e sexo, etc, acompanham a evolução daquela.

No meu conceito, a liberdade sexual seria apenas uma pequena possibilidade e somente uma parte da expressão de uma relação aberta – sinceramente, com pouca importância, diante das metas individuais e a dois. Se um casal apenas chega a um acordo sexualmente permissivo, visando a tornar seus desejos e curiosidades sexuais mais facilmente atendidos, no entanto, sem as consciências da importância da busca da essência, do “centro” do parceiro, em minha opinião, eles continuarão amarrados aos mesmos interesses, egoísmos, vaidades e outras questões culturais existentes em qualquer outro relacionamento tradicional. Essa liberdade sexual não irá, de forma alguma, construir uma relação saudável entre ambos e, normalmente, a busca pela variação sexual torna-se um vício que irá anestesiar, por momentos, a falta de afeto, através de orgias movidas pelas carências e vaidades de ambos. Essa é a razão pela qual afirmo que, respeitando as possíveis e raras exceções, as práticas do swing, ménage e demais variações, não são relações abertas, pois o ciúme e a necessidade de controle encontram-se nelas tanto quanto em qualquer outra relação conservadora. Não é permitido ao parceiro escolher com quem sair, ter seus motivos próprios para fazê-lo ou ter um encontro sozinho. São acordos totalmente egoístas e que visam interesses sexuais próprios, pois é dada uma concessão somente assistida e visando a uma satisfação pessoal. Apenas mais um detalhe que deve ser do conhecimento de poucos: os casais liberais traem tanto quanto os conservadores, pois a carência afetiva é a mesma de qualquer relacionamento e não há como ser atendida nos encontros sexuais. Neles, são proibidas demonstrações de carinho. É sexo e pronto.

Tenho algo contra essas práticas? De forma alguma. Todos têm o direito, podem e devem viver as experiências que desejarem, pois fazem parte de nossas construções subjetivas. A racionalidade do ser humano é totalmente propícia para e faz parte dela a curiosidade. Porém, a expressão “casal liberal” é, quase sempre, equivocada, pois apenas existem permissões assistidas e controladas. Nelas, não existe preocupação alguma com o crescimento do outro, com o seu desenvolvimento através de suas escolhas livres e posteriores conclusões próprias. São práticas egoístas e engessadas disfarçadas de generosas e livres.

Voltando ao meu ponto de vista, o relacionamento aberto é desfocado da importância sexual. O alvo é o amor a ser construído a dois; o trabalhado, gradual e contínuo desnudar das almas. Existe a possibilidade de se buscar o atendimento de uma curiosidade sexual externa ao casal, com ou sem participação do parceiro? Sim, claro que há, como, factualmente, existe em qualquer relação. Tudo é possível. Mas, jamais será algo relevante na vida de cada cônjuge. Gosto da explicação de um dos filósofos que li, que diz que, no caminho da evolução, por curiosidade ou vaidade e muitas das vezes, escolhemos e precisamos agir de uma forma que mal nos representa como indivíduos que buscam o crescimento, a fim de que melhor entendamos quem realmente somos, servindo essa escolha – por muitos rotulada de errada – de atalho para uma luz maior. Por isso, os conceitos de certo e errado deveriam ser substituídos por apenas um: o de ética. Quando se busca viver o amor, há esse tipo de entendimento.

Costumo dizer que quem está buscando e se dedicando ao amor sente-se preguiçoso para o sexo extraconjugal, mesmo existindo as possibilidades e oportunidades e mesmo sabedor de que, se acontecer, não será um ato desleal. Apenas para lembrar, não existe traição sexual na relação aberta – mas, pode existir a deslealdade aos tratados estabelecidos. Apesar de haver a liberdade, ela não precisa, necessariamente, ser usada. Na prática, afirmo que a tendência é que poucas vezes ou, até mesmo, nunca, seja utilizada. Hipócrita e paradoxalmente, os casais conservadores usam e abusam da liberdade que não têm, quando incorrem em um grave erro: “o outro” não sabe que o parceiro sente que a possui. Em muitos casos, ambos fazem isso. Hipocrisia e egoísmo transbordantes por todos os poros, um para o outro e em rodas sociais rechaçam e ridicularizam qualquer início de conversa cujo assunto seja liberdade sexual. Basta observarmos as frequentes estatísticas de traições que, regularmente, a mídia nos apresenta – fora as constatações entre nossos próprios amigos e amigas quando, curiosamente, podemos observar proporções bem mais altas do que os números apresentados pelos institutos de pesquisa.

Se a popular relação aberta é polêmica e desencoraja a grande maioria – apesar de despertar curiosidades em todos, a verdadeira relação aberta que defendo é muito mais complicada, pois nela está inserida a trilha do caminho do amor, que é uma dura arte. Nada é fechado e ajustes e reajustes são constantes, à medida que se caminha, pois a desconstrução cultural necessária ao processo de individuação é dolorosa. Sentimos nas vísceras coerência e ego se digladiando. Muita parceria e cumplicidade são exigidas. Neste tipo de relacionamento, são imprescindíveis evoluções – ou enormes vontades delas – e autoestimas bem elevadas em cada parceiro, por uma simples razão: não há espaço algum para mentiras. Somente um ser em evolução desconsidera os referenciais culturais que o cercam e assume tudo o que pensa para quem diz amar. Somente uma pessoa com autoestima em elevação não mente e consegue assumir suas fragilidades e curiosidades. A instituída afirmação de que os casais têm que ter seus segredinhos é, no mínimo, muito triste, e não passa de atitude covarde. O que apimenta e mantém a relação não são os segredos – que não passam de pavor da autenticidade, mas sim as descobertas mútuas e individuais compartilhadas, pois são elas que acabam com uma rotina que, normalmente, os casais tentam quebrar com viagens, restaurantes, rotineiras recepções para os amigos, bares, tecnologia, aquisições vaidosas, etc – incrivelmente, até com filhos. Mas sabemos que nunca funcionam. As viagens devem ser para o interior do outro – não existe aventura maior do que essa – e não com mudanças geográficas que, obviamente, também são culturalmente interessantes. Porém, chegando ao destino, os hábitos relacionais permanecem os mesmos e apenas os fatos exteriores mudam. Trata-se do conhecido e usual entretenimento para se fugir de uma realidade.

Essa autoestima nada tem a ver com matéria. “Eu me amo. Tenho uma puta autoestima porque sou linda e muitos homens me desejam”. Pelo amor de Deus! A supervalorização dessa fútil constatação nada tem a ver com autoestima, mas sim com a ausência dela. Apesar de todos nós gostarmos de ser razoável e fisicamente atraentes, a beleza precisa ser colocada em seu devido lugar. Autoestima relaciona-se com espiritualidade, com a busca da real condição humana e pelo menos razoável entendimento do verdadeiro sentido da vida. Ela nada tem a ver com o mundo material e proporciona a consciência de que um não é necessário ao outro; mas se desejam, e muito. Quanto mais vaidoso, controlador e egoísta se é, mais baixa é a autoestima.

Entendamos que ausência de mentiras não significa relatórios diários ou semanais para o parceiro, pois, se existem confiança e lealdade, eles são desnecessários. O que importa são as contemplações e admirações mútuas das ideias comentadas no artigo anterior, a energia trocada, conversas profundas, arrepios inexplicáveis, os olhos marejados durante a cristalização do silêncio em um momento a dois, o amar e se sentir, de fato, amado. A verdade está no conhecimento das ideias e possibilidades do outro e não no dos seus passos. A liberdade a dois implica assunção de qualquer coisa ser possível – apesar de muitas práticas serem possibilidades remotas, menos a falta de cuidado e carinho com a relação, menos a falta de ética, menos o medo ser verdadeiramente conhecido pelo outro.

Há poucos dias, li um artigo de um pensador – infelizmente, não recordo seu nome – que diz que nascemos, crescemos e aprendemos a andar. Andamos por ruas, andamos por estradas, andamos por caminhos, andamos por picadas. Eventualmente, andamos até mesmo em florestas, mas por trilhas prontas. Temos a visão de que a vida é como uma estrada por onde passamos, por onde outros já passaram e por onde outros passarão. No entanto, por isso, somos incapazes de pensar convenientemente a vida. Martin Heidegger propôs que, para pensarmos e contemplarmos a nossa existência, devemos nos imaginar a despertar no meio de uma floresta sem qualquer estrada ou caminho. A existência de cada um é uma floresta onde jamais um caminho foi aberto. Cada um de nós tem de abrir o seu caminho, cada um de nós tem de construir a sua própria estrada. Com esta imagem, Heidegger procura mostrar que o fundamental para pensar a existência é não a pensar como uma estrada que já está preparada, bastando percorrê-la. Não. Os caminhos não estão preparados e, na verdade, não existem estradas e não existem caminhos. Existe o ser humano, que se desenvolve no tempo.

Analogamente, penso que tal metáfora adequa-se e pode ser perfeitamente aplicada aos relacionamentos. Com medo do desconhecido, evitamos a todo o custo partir para a floresta. Porém, as estradas e os caminhos prontos só nos têm causado sofrimento e dado nada mais do que uma falsa impressão de segurança. Precisamos nos reinventar e, à medida que progredimos, naturalmente, somos levados a recriar a forma com que queremos nos relacionar. Não há receita. Cada casal precisa encontrar o seu próprio caminho e seguir em ritmo próprio, na direção acordada por ambos. Ao não abrir mão das verdades, através das experiências que enfrentamos e das constantes avaliações das mesmas, com ajustes e reajustes, conseguiremos criar, gradualmente, uma identidade ética pessoal e relacional, uma identidade autêntica. De um modo geral, penso ser profícuo o pensamento de que podemos alcançar um maior bem estar e descobrir um melhor sentido para a vida através das eliminações, ao deixarmos de escolher, dia após dia e sem imposições externas, o que não faz bem a nós e aos nossos relacionamentos.

O que encerra a caminhada pela floresta – que nada mais é do que a etapa humana da vida – é a morte, e não o fim da mata fechada. A jornada não termina com o alcance do campo aberto, onde tudo fica claro; o tempo é que a interrompe, pois somos infinitos. O casamento que conhecemos nada mais é do que a abertura de uma clareira e a desistência de qualquer tipo de desbravamento. Por medo do desconhecido, arbitrariamente, estabelece-se o fim. Então, ali se morre, sem meios de se conhecer as intermináveis possibilidades de contemplação das belas diversidades da mata. Prefiro caminhar, abrir trilhas. Ao perceber estar em um caminho cheio de espinhos que estejam me causando dor, quero, livremente, mudar o rumo para onde a minha intuição me sugerir – não existe melhor bússola.  Porém, ressalto, aqui, que existem dois tipos de dores: a dor da alma e a dor da matéria. Esta última é causada pelo não atendimento das necessidades que o homem inventou e que não são reconhecidas e legitimadas pela alma: dinheiro, poder, controle, posse, domínio, bens materiais, etc. Todos visam ao atendimento do famigerado ego, através das vaidades. Poucas pessoas iluminadas possuem a compreensão desses dois tipos de dores – da alma e do ego. A maioria atribui todas as suas tristezas à alma, quando, na verdade e sem saber, só consegue prestar atenção nas dores do ego, quando tenta aliviá-las através dos vários tipos de vaidades oferecidas pela sociedade. Não que suas almas não doam, muito pelo contrário. Mas, a cultura e as inseguranças que em nós provoca só nos permitem ouvir os gemidos do ego, que abafam o sofrimento verdadeiramente humano. Esse discernimento é fundamental na caminhada pela floresta, pois, se é o ego que sente dor, provavelmente, estamos no caminho certo e ele, simplesmente, deve ser alijado, aos poucos, o máximo possível e com perseverança. No entanto, desfazermo-nos dele por completo é impossível. Mas, se a dor vem, realmente, da alma, uma parada para reflexão é exigida e uma nova trilha deve ser aberta. Quando o ego está satisfeito, a alma padece; quando a alma se regozija, o ego tende a calar-se. A alma é a autoridade legítima; a mente dominada pelo ego não passa de uma sabotadora e golpista.

Exatamente por ignorarmos nossa alma, que é quem carrega a essência humana, muitos conseguem se prover de tudo que a sociedade diz ser necessário para sermos felizes – família, bom emprego, poder, moral ilibada e bens materiais, e mesmo assim uma dor não cessa. É o amor não vivido, a vida, a autenticidade, a liberdade, o ser humano, a coerência, a coragem; todos agonizando. Iluminados são os que conseguem ouvir as dores de suas almas e delas cuidar. Toda relação deveria ser aberta à alma, ao amor, à vida, à autenticidade, à liberdade, ao ser humano, à coerência e à coragem. O amor dessa relação aberta não agoniza com o passado e não faz projeções fantasiosas e controladoras sobre o futuro. Ele só vive o presente e dele tenta extrair o máximo possível.

A saudável relação aberta confia no amor. Como disse Roberto Freire: “Se você não confia no amor, ele já não existe”.

“Certamente é muito difícil modificar padrões, refazer hábitos, rever conceitos e questionar convicções, principalmente se partimos da falsa premissa de que somos seres limitados, dependentes, frágeis e manipuláveis. É preciso uma decisão corajosa, se quisermos sair do buraco existencial em que nos metemos. Sair da condição de expectadores – ou de atores coadjuvantes, até assumirmos o papel de agentes transformadores de uma realidade falsa e ilusória.[...] Os infortúnios de nossas vidas são vistos por nós como ocorrências trágicas e destruidoras de felicidade, quando, na verdade, devem ser encaradas como eventos naturais necessários ao nosso processo de desenvolvimento espiritual e pessoal. As tragédias não são os eventos em si, mas aquilo em que os transformamos.” Artimanhas do ego – José Diney Matos, páginas 230 e 244.

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6 Comentários para 32. Relação aberta

  1. Adriana escreveu:

    Meu querido, dou-lhe os parabéns, por sua brilhante colocação!
    Sabemos q é um tema altamente complexo, de difícil entendimento e aceitação, sabendo-se q a sociedade não está preparada para: VIVENCIAR e sim para CONTROLAR.
    Vivenciei esse maravilhoso (amor aberto), prefiro colocar desta forma. Onde o conhecimento do outro, a cumplicidade, a entrega… enfim, é tão intenso q supera tudo o q qualquer pessoa possa imaginar! Onde duas pessoas tornan-se uma, somente pelo olhar, pois a intensidade do compartilhar idéias, nos faz sentir como se nossa alma fosse despida…
    Bom, não vou ficar aqui falando do q vc conhece bem!
    Mais uma vez, PARABÉNS!!!
    P.S: Não precisa se dar ao trabalho de me responder, prefiro q ocupe seu tempo expondo aqui, o q pensa!

  2. Carol escreveu:

    Privo-me agora, de fazer apenas elocubrações sobre ideias que me passam pela cabeça. Não afirmo nada, não tenho uma opinião formada a respeito…apenas divago…
    Esse sonhado amor que vc aborda em seus textos, é interpretado por mim, como um amor que supera o sentimento egoísta e possessivo característico do ser humano, um amor tão grande que faz vc não desejar mal a pessoa que vc ama. Vc ama tanto, que a felicidade do outro é o que realmente importa, independente da escolha que o outro venha fazer, se tal escolha fará o seu parceiro feliz, consequentemente também lhe fará. É a ideia do “ame ao outro como a si mesmo”.
    Então, divago sobre a possibilidade de você estar procurando uma magnitude que não é possível nesse plano espiritual. Imagino que vivemos num plano muito pouco elaborado para tal sentimento e, sendo assim, somos imperfeito e incapazes de alcançar essa evolução, ao menos no planeta Terra. Seria uma luta inglória, se levarmos tais abordagens para a espiritualidade. Não nascemos em um espaço galáxico iluminado a tal ponto, embora acredito na evolução, desconfio que não consigamos tamanho despreendimento e desapego, por aqui.
    Você fala de razão, razão…e se isso depender da nossa espiritualidade, da nossa evolução enquanto gente?
    Quando te leio, vejo que aborda uma parcela apenas de nós, limita-se a dizer que somos sugestionados por uma sociedade e da forma turva que utilizamos a nossa intuição. Acho que equivoca-se em simplificar. Sem querer vender a ideia de acomodação, analiso também esse outro lado que citei e acho que tem fundamentos…talvez por isso que nunca tenha conhecido um casal nos moldes que idealiza, e como diz que não conhece, entendo que nem você, que estuda tanto o assunto e se propõe a viver essa liberdade, tenha conseguido essa plenitude. Pense nisso.

  3. Administrador escreveu:

    Carol, li seu comentário no mesmo dia em que escreveu e fiquei pensando: “O que vou dizer para a Carol? Ela está convicta de que o amor só pode ser sentido e vivido em outro plano cósmico”. Se entendi bem, suas obervações, suas experiências e, talvez, sua intuição lhe indiquem que nesse tipo de relacionamento não faz sentido acreditar que buscá-lo é superestimar nossa capacidade de evoluir enquanto humanos.
    Sinceramente, discordo de você exatamente pelas mesmas razões que eu supus que a levam a essa conclusão: minhas observações, experiências e intuição me sinalizam que é possível. Uma coisa é o que o Cesar não consegue ou tem dificuldade para fazer; outra é afirmar que o humano chamado Cesar não tem potencialidade para aquilo. Nós nos limitamos, o ego nos passa a turva visão de restritos.
    Não pense você que sou mestre em tudo que escrevo aqui. Absolutamente. Pego-me vacilando em muita coisa em que acredito. Muitos poderiam chamar isso de contradição, mas não é. Creio que o importante é o estado de atenção, a consciência de que algo é desvantajoso para a evolução e a predisposição para refletir a fonte do impulso que me fez fugir do caminho, sem sentimento de culpa, de forma leve, sem autopunição. Sem dúvida alguma, isso exige coragem. Coragem para ser “esquisito”, para ser um humano com identidade. Acredito não estar sendo reducionista; seria se dissesse ser fácil amar.
    Não conheci mas sei que existem casais que vivem dessa forma. Civilizações já viveram dessa forma e com muito menos ideias desenvolvidas do que a nossa. Fizeram-no intuitivamente, descontaminados da cultura e dos valores egóticos que nos conduzem.
    Sentimentos egoísta e possessivo não são característicos do ser humano. Implantados pela cultura, ao longo de alguns milênios, tornaram-se característicos do “homenzinho egótico”, não pertencendo à sua natural essência. Acredito na possibilidade de, individualmente, “voltar” e de lembrar quem, de fato, “somos”.
    Uma ótima semana para você e obrigado pela excelente contribuição, pois sei que muitos pensam que “o homem é egoísta, possessivo e mau por natureza”. Não acredito nisso.

  4. Laura escreveu:

    “Não há pior “inimigo” q nosso próprio Ego. Porém, este não é o tipo de inimigo q precisamos aniquilar, mas apenas conduzi-lo, de forma amorosa, ao seu devido lugar: parceiro entregue de nosso Eu Real. Enquanto o Ego resiste a essa idéia, ele nos manipula, sabota e determina tudo o q acontece em nossa vida, de acordo c/ suas necessidades e vontades mesquinhas, ignorantes e arrogantes. Ele acredita ser o único q “sabe do q realmente precisamos”, e q nosso Eu Real é seu inimigo e q quer destruí-lo. Por conta disso, a cada tentativa de nosso Eu Real em se manifestar, o Ego se arma ainda mais na tentativa de interditá-lo. p/ isso, faz qualquer coisa, mesmo q seja algo muito ruim p/ nós, o importante é nos desviar dos caminhos q nos levam ao nosso Eu Real. É por isso q vivemos nos prejudicando, enquanto estamos ocupados em culpar o mundo por nossos reveses, só p/ q não possamos perceber quem é o verdadeiro “culpado” de todas as nossas dores: nosso Ego.
    Quanto mais evoluímos e despertamos a consciência p/ a nossa realidade divina e quanto mais permitimos q nosso Eu Real atue c/ sua poderosa presença em nossa vida, mais nosso Ego se levanta contra ele e mais busca meios de nos manipular, na intenção de sabotar toda influência benéfica do Eu Real. O Ego nos obsedia, nos fazendo prisioneiros de nossas crenças em nossos pecados, erros, culpa e medos, q tão ignorantemente, acreditamos ter. Quando nos deixamos manipular por uma força tão destrutiva quanto a de nosso Ego q está aterrorizado pela possibilidade de vir a perder o poder sobre nós, nossa freqüência vibratória cai, nossa energia fica mais densa e acabamos nos perdendo em pensamentos e sentimentos negativos e destrutivos.
    Nosso Ego quer nos levar a entrar cada vez em mais desequilíbrio, e faz c/ q acreditemos q somos maus e q merecemos castigo, o q o faz criar mecanismos de autodestruição. Ele é incansável em seus intentos. Quanto mais nos aprisionamos nisso, mais frágeis e sensíveis nos sentimos, abrimos nossa guarda, nossa autoproteção e acabamos por vibrar tão negativamente, q atraímos forças externas, os tais obsessores q tanto tememos. Eles passam a nos influenciar, mas quem está no comando, decidindo e permitindo essa influência, é o Ego, tudo começa e termina a partir dele. Quando se sente muito ameaçado pelo poder de nosso Eu Real, fazendo c/ q se sinta muito vulnerável, ele lança mão de “ajuda externa” e “pede socorro” aos obsessores de plantão ou dá permissão a obsessores “antigos” (por questões de outras vidas), p/ q passem a ajudá-lo a nos fazer entrar em grande desequilíbrio, pois dentro deste, nosso Eu Real fica totalmente impotente p/ nos ajudar a resgatar o equilibrio em q estávamos. Portanto, é o nosso Ego q nos atormenta, fazendo c/ q nos mantenhamos presos em pensamentos obsessivos, é ele quem nos faz criar as ilusões, os medos, criar dificuldades desnecessárias ou q não existem, tudo acontece dentro de nós e não fora.
    Nenhum obsessor pode nos influenciar, sem q tenha permissão p/ isso. Nós temos nosso poder pessoal, q determina a interdição de qualquer influência externa. Mas quando abrimos mão desse poder e o entregamos ao Ego, aí sim ele nos entrega ao obsessor. Ele prefere nos ver em sofrimento, a ter q sofrer pela perda de poder.
    Algumas vezes, isto nem ocorre, e não estamos influenciados por obsessores, mas como temos a crença nas forças sinistras q tentam nos atacar e como isso também nos ajuda a entrarmos num papel de “vítima de obsessores”, como q nos eximindo de nossa culpa, acabamos por nos render a eles, apenas porque isso acaba se tornando mais cômodo. Sei q é difícil pensar q fazemos isso, pois isso nos parece algo insano, não conseguimos conceber a idéia q nós deixamos q obsessores nos influenciem só p/ q possamos nos livrar de nossa culpa, sendo q essa influência é tão destrutiva e assustadora. Mas infelizmente, esta é uma verdade.
    Volto a reforçar q nem sempre estamos obsediados, o verdadeiro obsessor é o Ego, q nos atormenta c/ suas investidas e nos faz acreditar q estamos sendo vitimas de influências espirituais, p/ q desviemos o olhar q possamos ter sobre ele e, assim, possa se manter no poder, mesmo q o custo disso seja o nosso desequilíbrio. Quando estamos em equilíbrio, nos contatamos mais facilmente c/ nosso Eu Real, assim, manter-nos em desequilíbrio é uma arma do Ego contra nossa liberdade.
    Portanto, se nos sentirmos obsediados – independentemente de isto estar ocorrendo ou não -, o melhor passo q devemos dar, é no sentido de voltarmos o olhar p/ dentro de nós. “

  5. Viviane Garcia escreveu:

    Confiar no AMOR, sem paradigmas culturais, sociais, filosóficos é algo para poucos. Diria com toda veemência, para a minoria dos seres viventes que anseia por um AMOR verdadeiro, que nada cobra, nada impõe, nada sofre. Essa chamada relação aberta nos abre os olhos contudo para um AMOR infinito, que transcende a alma ou gênero homem/mulher, mas aqui desenvolvemos o AMOR eros, aquele que tem ligação com a química, com o olhar, com o toque, coisa de pele. Lidar com essa liberdade nos remete a um amor de qualquer jeito, meio imprevisível onde a maioria, principalmente as mulheres, busca algo estável, com consistência e a longo prazo. Compreender uma relação aberta, colocada às claras, acredito que não seja de grande busca, Claro que todos que leêm esse artigo sonham com isso, mas onde entra os ciúmes, vaidades, desconfianças? ..e por ai vai. Pois sabemos que não é oportuno pensar que exista qualquer tipo de regulamentação da vida sexual que se processe no imaginário de qualquer pessoa. Fazemos as juras matrimoniais, conjugais, TE AMO daqui, TE AMO dali e de repente a bela mocinha descobre que esta sendo enganada, ou o rapaz descobre que os olhares brilhantes de sua amada não são direcionados mais a ele. Neste universo onde este instinto não tem relação alguma com AMOR, não existe nem fidelidade nem infidelidade. Existe uma total liberdade que infelizmente não pode ser sentida por muitas pessoas em virtude da forma como aprenderam a pensar sobre o assunto. Se observássemos mais para dentro de nós mesmos, entenderíamos que há uma aliança entre o que pensamos e o que sentimos, isso é mais facilmente observável naquelas pessoas que não costumam reprimir seus pensamentos e sentimentos: Ou seja, aquelas que se permitem pensar e sentir sem censura íntima. Falo por mim mesma, que todos os dias brigo, digladio, nocauteio as farsas criadas pela mente, trazendo mágoas e as vezes muitas angústias, EGO versos ALMA. Acredito sim ser possível esse AMOR, toco nele em alguns momentos, e quando ele escapa do alcance entendido, caí um pedaço de mim pela forma de tentar entendê-lo. Acredito que ainda uma grande jornada tenho a percorrer por essa estranha e linda estrada que nos leva ao AMOR pleno, sou um bebê que em breve espero estar engatinhando e dando os primeiros passos.

  6. carla escreveu:

    gostei muito da forma como abordou o tema, pelo vies do amor e nao da liberdade sexual apenas. Reconheco que faz toda a diferenca, mas as conexoes que faz – com os temas da individuacao, o confronto entre ego e alma (que podemos traduzir sob a forma de outras multiplas perspectivas…trazendo o self como alma ou eu verdadeiro, divino, amor puro.), o amor e o respeito integral pelo ser amado – nao fazem parte do repertorio da maioria das pessoas que defendem relacoes abertas. Entendo que muita coisa sordida, muito ansia e deseos obscuros se escondem sob os mantos da afirmacao da liberdade humana. Um equivoco na nocao de liberdade, sobretudo. E ao olhar o amor relatado em seu texto, o amor maduro, inteiro, de seres que sabem sobre o caminho, sinto que eh uma utopia, uma manifestacao de algo possivel, de um mundo outro. Mas o diacho eh que o mundo eh e nos condiciona (nossos sentimentos, nossas verdades sobre amor e traicao) e tambem ele se transforma a partir das nossas mudancas…essa interdependencia entre nos sabermos limitados, moldados no ventre e no coracao pela sociedade e nos sabermos capazes dos maiores voos e rupturas….Esse eh o caminho dos herois e dos sabios, portadores do novo. A nossa forma de amor se transforma e do amor romantico e centrado na posse passamos para o amor e sexo volateis, fluidos…uma nova forma ou representacao eh emergente ai…O amor confluente, de giddens, eh uma boa traducao, em outra perspectiva, dessa representacao e dessa pratica amorosa, mais condizente com a nossa consciencia possivel de quem somos e podemos ser…que no ano novo continue fundo em seu caminho e que ele sea florido, com os espinhos necessarios.

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