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O crer irresponsável
Crer, como ato que dispense o compromisso de buscar a verdade, é uma ação passiva que deixa de justificar a existência. O Homem, renunciando ao uso das potencialidades advindas da evolução de sua espécie, perde sentido como ser. Quando a humanidade decide-se por crer no que acontece a partir de um sentimento de fé absoluta, dispensando conhecimento prévio ou demonstração, pratica uma irresponsabilidade perante ela mesma, pois se condena a não buscar uma razão para as coisas e, ao mesmo tempo, aceitar como verdade o que alguém lhe impinge. Se Deus quisesse que o Homem apenas cresse, ter-lhe-ia traçado um cérebro diferente, sem atribuir-lhe a função de pensar. O paradoxo presente nos que creem sem ressalvas é aceitar a Deus de forma absoluta e, ao mesmo tempo, renunciar às potencialidades que Ele teria colocado em sua obra.
Edson Monteiro, em O Sorriso da Razão. Editora Letra Capital
Liberdade e coerência
Meus estudos, experiências, pensamentos e intuição têm me levado a crer que pessoas maduras e coerentes, ao serem analisadas com base no comportamento comum, são caretas. Penso que, quando o assunto é individualidade, bem estar do indivíduo, não existem decisões coerentes sem a ausência de qualquer tipo de coerção externa ou interior. As pessoas que conhecem esse tipo de liberdade decisória deixam de considerar tanto a febre mercantil da moda quanto o moralmente proibido como excitantes e se voltam para as descobertas de suas necessidades essenciais. Dessa forma, indiferentes às imposições culturais fúteis, excluem-se da corrida consumista coletiva, na maioria das esferas, e tornam-se, aparente e paradoxalmente, anacrônicas.
De forma alguma estão imunes aos impulsos vaidosos, mas, esforçam-se pela consciência e atenção às suas escolhas. Assim, quando cedem ao ego, não existe culpa; só existem escolhas conscientes. Trata-se de postura fundamental para a paz interior, o que não passa de coerência.
De um modo geral e na maioria das vezes, a liberdade é careta e preza pela discrição. Só quem a tem e a sente sabe disso.
Obs: ter liberdade é diferente de senti-la. Morar sozinho é tê-la; senti-la é não abrir mão da decisão solitária.Cesar Machado
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